Dado o desempenho positivo da economia brasileira nos últimos anos e a expansão do crédito, o mercado interno presenciou significativo aumento da demanda por produtos e serviços de luxo, advinda da nova classe média alta, além dos novos milionários. Para atender a este público, espaços comerciais e, sobretudo os shoppings mudaram sua configuração, passando a oferecer serviços diferenciados e marcas internacionais, tudo fetiche de consumo.

O pioneiro deste segmento no Brasil e na América Latina é o Iguatemi São Paulo (localizado na Avenida Faria Lima), criado na década de 1960, e que hoje conta com circulação estimada em 48 mil pessoas por dia. As 330 lojas comportam marcas nacionais e estrangeiras, entre elas Tiffany & Co, Bvlgari, Diane Von Fustenberg, Glória Coelho, D&G, Emporio Armani, Gucci, Louis Vuitton e Victor Hugo.

Além das lojas de alto padrão, o shopping Iguatemi São Paulo possui um espaço para vernissages de exposições de roupas de alta costura, e um espaço gastronômico variado, com toques da família Fasano em alguns dos estabelecimentos, como no Armani Caffe e no Gero. Os visitantes também contam com o serviço de Concièrge e Personal Shopper (consultoria de imagem), e os clientes mais fiéis com o programa Iguatemi One (que consiste em privilégios como convites para desfiles e eventos).

Com efeito, a atmosfera “Iguatemi” já não se restringe ao endereço do Jardim Paulistano, posto que o grupo Iguatemi Empresa de Shopping Centers (IESC) possui atualmente 11 empreendimentos no Brasil - a inauguração mais recente aconteceu em Brasília, em abril deste ano-, e segue com a construção de outras cinco unidades: Alphaville, São Paulo (na região da Vila Olímpia), Jundiaí, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto.

Especificamente sobre as unidades que funcionarão em Alphaville e na Vila Olímpia, a inauguração de ambas está prevista para 2011 – a primeira para abril e a segunda para setembro. Contudo, por questões es- tratégicas, o IESC não informa quais marcas estarão presentes em cada local.

O empreendimento de Barueri, que possui 22% de participação da Takaoka, recebeu investimentos de R$ 180,8 milhões e, entre outros aspectos, se desta- ca pelo projeto todo orientado para a sustentabilidade. Ao total serão 172 lojas satélites, além de mega-stores, restaurantes, estabelecimentos de fast-food e cinemas. O mesmo terreno será compartilhado por uma torre de escritórios, a iTowers, igualmente desenvolvida sob preceitos sustentáveis.

Já a nova unidade de São Paulo, que recebeu investi- mentos de R$ 186,6 milhões, contará com os serviços habituais de shopping (cinema, espaço gastronômico) e 240 lojas. Um dado interessante é que a comercialização do JK Iguatemi (nome da unidade da Vila Olímpia) foi realizada por meio de um roadshow em algumas das principais capitais da moda como Paris, Londres e Nova York. Outro ponto é que a unidade faz parte do Complexo JK, onde funcionam hoje torres comerciais e a Villa Daslu, outra expoente do comércio de luxo.

Noticiou-se recentemente na imprensa internacional que havia sido realizado um acordo entre o JK Igua- temi e a Daslu para o controle do comércio varejista de luxo na região, de modo a evitar uma concorrência negativa. Ainda nessa linha, segundo veículos estran-geiros, as empresas passariam a atuar como parceiras, havendo a possibilidade de a marca Daslu ter lojas me- nores dentro de alguns shoppings Iguatemi. Todavia, por enquanto a notícia pode ser vista como especulati- va, posto que a assessoria do IESC não confirma o fato..

Como boutique, além de possuir marca própria, a Daslu ficou conhecida por reunir peças de algumas das melho- res coleções do mundo como Chanel, Christian Dior, D&G, Prada, Gucci, Ermenegildo Zegna e Salvatore Ferragamo, por exemplo. Além de grandes marcas, hoje é possível encontrar na boutique roupas para be- bês, crianças e jovens, bijoux, artigos para casa, entre outras opções sempre de luxo. A Villa também possui os badalados Buddha Bar, Forneria San Paolo e o Ter- raço Daslu – espaço para festas e outros eventos.

Apesar de tampouco haver informações oficiais a respeito do que será da elegante boutique quando esta passar a compartilhar o mesmo espaço com o JK Iguatemi, é certo que os clientes fiéis (que além da(s) etiqueta(s) primam pelo “estilo alegre Daslu de ser”) não ficarão desamparados. Aliás, a fim de não perder espaço, a independente Daslu tratou de abrir uma loja no shopping Cidade Jardim, outro que tam- bém segue a linha dos luxuosos.

Inaugurado na Marginal Pinheiros em 2008, o Cida- de Jardim foi planejado com o intuito de reproduzir a atmosfera das ruas mais elegantes das grandes capi- tais, com lojas dispostas frente a jardins abertos, ilu- minados por luz natural. Pensando na mobilidade de pessoas com deficiência, os arquitetos optaram pela utilização de pisos especiais, inexistência de desníveis, inclinações adequadas e rebaixamento de guia para travessia. Nessa linha, outras medidas foram adotadas, sendo outra menos comum a disponibilidade de telefo- nes públicos especiais para deficientes auditivos.

Além de possuir a Daslu como uma de suas principais lojas, o Cidade Jardim conta com uma loja de bar- cos e helicópteros; a parceria da Livraria da Vila com a Casa do Saber, ampla área de serviços (incluindo Concièrge) e entretenimento com academia Reebok, spa, cinemas (com salas Premier e 3D), restaurantes, fast-food, e outros tantos estabelecimentos de gran- des grifes. Ao total são 150 lojas.

Entre as marcas nacionais e internacionais mais co- biçadas estão Carlos Miele, Isabella Giobbi, Reinaldo Lourenço, Silvia Furmanovich, Maria do Rio, Chanel, Carolina Herrera, Calvin Klein Jeans, Hèrmes, Ermenegildo Zegna, La Perla, Longchamp, Rolex, Montblanc, Salvatores Ferragamo, Tiffany & Co. e Louis Vuitton, por exemplo.

Em geral, na disputa de um mesmo nicho, os shop- pings de luxo acabam por criar conceitos idênticos e a ofertar serviços e produtos similares, muitas vezes, de uma mesma marca. Parte disso ocorre devido ao interesse das grifes internacionais em expandir seus negócios para o emergente mercado de luxo brasi-leiro, bem como o fortalecimento de marcas nacionais, que também vislumbram conquistar (e já conquistam) essa mesma fatia do mercado, que hoje não está concentrada exclusivamente em São Paulo. Por seu turno, são os shoppings os meios pelos quais a acessibilidade a estes produtos se torna mais fácil, o que faz com que investidores e consumidores ganhem com a construção de novos empreendimentos.

Considerando que o mercado de luxo cresceu bastante nos últimos anos e que pode (e deve crescer ainda mais – na perspectiva de especialistas), a tendência é de que os shoppings e demais espaços de luxo se tornem cada vez mais competitivos nas áreas em que o mercado está mais evoluído, como em São Paulo (o que fará com que os shoppings busquem inovações constantes, vantajosas ao consumidor). Já nas regiões em que não houver concorrência, estes shoppings serão pioneiros e, além de templos, serão monopólios do luxo – ainda assim, fazendo com que o mercado ganhe pelo desenvolvimento e o consumidor ganhe pela acessibilidade.

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